| "Obrigada" |
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Hoje falamos de ti. Senti-me como sempre esta sensação. Não sei onde estás nem se consegues ver-nos mas quero pedir desculpas. Desculpa por não ter conseguido enfrentar a tua perda a tempo da tua ida para o desconhecido. Fui fraca, ainda o sou e tu sabes disso, apesar de não falarmos muito nos entendíamos-nos um ao outro, talvez pela nossa parecença de personalidades. Conheço-te desde os meus três anos e para todos os efeitos o sangue não importava eras o meu segundo avô o que me fazia rir em pequena e me compreendia a medida que crescia. Os pesadelos da tua ida foram-se ao fim de um semana a acordar todas as noites com o mesmo sonho,mas o que ainda hoje penso é na tua coragem. Como conseguis-te saber que ias partir e não queres agarrar a vida com unhas e dentes e preocupar todos. Tu és como eu, ai eu tive a prova, escondes e mentes o que for preciso para todos os que amamos estarem bem mesmo que isso custe muito, e a ti custou-te a vida. Mas quero dizer que pretendo continuar fiel a promessa de todos os anos te levar uma flor branca ao local onde o teu corpo repousa. Brancas porque? Tu sabes que não entendo a finalidade de manter anos a fio flores enfiadas em jarras repousadas por cima do teu corpo como se isso compensa-se tudo o que te fizeram ao queriam fazer. Eu levo essa flor todos os anos numa tentativa de tentar que descanses em paz, estejas bem onde quer que estejas e que não te preocupes porque é o que mereces depois de uma vida.
Tu, os meus bisavós, o tio Alfredo e prima e o Henrique. Todos levam uma flor branca uma vez por ano para que a vossa alma esteja onde estiver esteja em paz. Tive pena, mas não me arrependo de nada do que fiz já que sei que era eu mesma e que tu me entendias. Apenas me arrependo de enquanto respiravas as últimas bufadas de ar não poder sussurrar um "obrigada".
do coração de
*mary
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